O meu ponto de vista sobre a educação

Educação
A educação na escola
A Educação como factor preponderante no desenvolvimento do homem e da sociedade, deve começar desde a primeira idade. Assim sendo, esta começa, numa primeira fase com a educação caseira, logo a acção contributiva da família é fundamental para um desenvolvimento sócio cultural do homem como cidadão.
A partir do momento que o ser humano, gerador de outro ser, entende que para a continuação da formação educativa do seu descendente, noutro campo, e sobretudo na escola, requer a sua participação, torna-se relevante o papel do educador chefe na qualidade de progenitor, preparar o seu educando para assim poder se inserir na comunidade escolar de forma respeitosa e educada, para que assimile o que lhe é proposto pelo instrutor, o professor, que tem por missão ensinar. Presentemente, confrontamo-nos com uma sociedade constituída por uma geração juvenil, para quem a educação é apenas mera palavra que se vai ouvindo falar, tendo em conta que a sua aplicação no dia-a-dia fica muito aquém do que outrora era.
O factor escola para essa geração, não passa de um local de diversão, banalizando, e quase completamente, os objectivos preconizados como base para um futuro melhor. É preciso incutir na mente dos mais novos a importância de respeitar e ser respeitado, como um dos princípios visados na democracia.
Actualmente, referindo-me à educação na escola, nota-se grande desrespeito por parte dos alunos para com os educadores, os funcionários e mesmo entre os colegas. Os professores perderam a sua autoridade perante os alunos porque lhes é “negada” essa competência. Certas medidas punitivas optadas pelo professor em relação aos alunos e que não estejam previstas na Legislação, são alvo de sanções disciplinares; para agravar ainda mais a situação, alguns encarregados de educação, incitam os seus educandos a uma atitude dominadora perante os professores. Com esta forma de agir, nota-se que a má educação começa na própria casa e estende-se até fora dela. Como acima referi, e faço notar, falta aí o papel do educador chefe na pessoa do progenitor, preparar os filhos para se inserirem na comunidade social e escolar. Este é um dever que cabe a todos nós, e para isso torna-se necessário haver consciencialização de toda a sociedade.
Além da educação como base para o bom comportamento do homem na sociedade, temos também a educação escolar, mediante a qual o homem expande os seus conhecimentos, preparando-se para a vida futura.
A educação escolar de tempos em tempos, tem evoluído até os dias de hoje. Com o nascimento da liberdade em 1974, a educação nas escolas conheceu mudanças ao longo dos tempos que proporcionaram grandes reformas na metodologia do ensino e a maneira como os alunos encaram a escola

A educação escolar em outros tempos
Outrora, referindo-me à décadas atrás, em particular até aos anos setenta, as crianças iniciavam o período escolar com sete anos de idade na primeira classe, mesmo sem necessidade de iniciar a pré-escola. O ensino primário terminava de igual modo que hoje na 4ª Classe. Seguia-se depois o 1º ao 2º Ano da Preparatória equivalente à 5ª e 6ª Classe respectivamente. Posteriormente, no Liceu seguia-se o 3º Ano que terminava no 7º, que correspondente a 11ª Classe. A partir daí, nas colónias portuguesas, particularmente onde não existiam Universidades, os alunos com bom aproveitamento beneficiavam de Bolsa de Estudos, para então prosseguirem os seus estudos no Ensino Superior na Metrópole – Portugal. Outros eram enviados para algumas colónias como Angola, onde a Universidade de Luanda, sita na capital, era famosa. Em algumas colónias, Países hoje independentes, mas que outrora se encontravam sob domínio de Portugal, embora leccionassem o ensino superior, vinham a Metrópole “Portugal Continental”, filhos de famílias abastadas financeiramente e alunos destacados, a fim de prosseguir os seus estudos em Universidades de renome como as de Lisboa e Coimbra.
O ensino era rigoroso. Quem nessa altura concluísse o 5º e o 7º Ano do Liceu respectivamente 9ª e 11ª Classe, podia gabar-se de possuir bons conhecimentos literários e aptidão para exercer na Função Pública, com boa qualificação e bom ordenado. Os conhecimentos adquiridos eram vastos. Havia respeito pelas aulas e pelos professores. O mau comportamento, era alvo de faltas disciplinares ou mesmo de suspensão das aulas, não podendo frequentar o recinto escolar, muito menos a sala de aulas, acabando assim por perder o ano lectivo. Um certo número de faltas de presença, também dava direito a perda de ano. Os alunos nunca entravam em discussão com os professores.
Independentemente da cultura literária, nessa altura, quem quer que fosse, que frequentasse o ensino educativo, mesmo somente o nível primário, tinha uma postura social muito conceituada, com reflexos na sua forma de pensar, estar, agir e de se apresentar, pois assim se impunha.
Contrariamente, hoje deparamo-nos com comportamentos impróprios por parte dos alunos, com o agravante de frequentarem aulas, sem que lhes fossem impostos castigos que sanassem o mal, acabando ainda por ter o privilégio de transitar de ano, mesmo com excesso de faltas e negativas. Recentemente, verificou-se um caso exemplar de um aluno, que, com 9 negativas foi lhe conferido a aprovação no final do ano lectivo. Perante tais factos, é de exclamar quanto ao valor e a importância que dão ao ensino e à educação hoje em dia. E mais se vê, como pessoas habilitadas com um bom nível secundário, porém a sua capacidade, em termos de conhecimento e conduta social, fica muito aquém do pressuposto. Talvez seja esta, a razão porquê, cada vez mais é exigido maior nível de escolaridade, como está previsto pelo Ministério da Educação, aumentar o número de anos de escolaridade obrigatória para o 12º ano. Nos dias de hoje não basta aumentar o nível de ensino e o número de anos de escolaridade obrigatória. É preciso avaliar a qualidade de ensino e o grau de conhecimento adquirido adequando-o às necessidades do mercado. Como se pode verificar, existe grande número de pessoas formadas com nível superior e que no mercado de emprego não encontram resposta. Este factor pode dever-se ao desregramento no que respeita aos cursos e às ofertas no mercado de emprego. Deduzo que não há uma previsão do ponto de vista perspectivo para as necessidades reais do mercado.
Por outro lado, nota-se que os alunos se preocupam mais com o nível cultural e académico, esquecendo-se da necessidade de demonstração de aptidões face ao nível que apresentam. Faço esse reparo, por constatar em muitos casos, pessoas, sobretudo da camada jovem, cujo nível cultural é elevado, porém o grau de conhecimento é decepcionante sobretudo no que refere à simples aritmética e a escrita da Língua Portuguesa.
Presentemente, o ensino está mais ligado à tecnologia. Os alunos interessam-se menos em compreender as regras básicas do conhecimento; dedicam-se mais a servir-se da tecnologia como auxiliar nos mais diversos campos. O uso da máquina de calcular, o computador, etc., são hoje utilizados para resolver o mais elementar dever escolar desde operações de cálculos a escrita. Antigamente tudo era feito mental e manualmente. Todavia, é de se reconhecer as muitas vantagens obtidas dessas tecnologias, ao tomarmos em conta a sua capacidade de aceleração e conclusão dos mais diversos trabalhos, porém é preciso que se tenha em conta, que para o desenvolver a tecnologia, depende também da aplicação dos conhecimentos básicos.

A importância da Educação na sociedade ontem e hoje
Numa visão geral, nota-se que presentemente a própria sociedade tornou-se de certo modo permissiva, vivendo em promiscuidade com determinadas atitudes, embora comentassem, não o faziam clara e abertamente, de forma a chamar atenção aos prevaricadores.
Esta forma de ser e de estar, proporciona o liberalismo às pessoas sem escrúpulos, permitindo-lhes vaguear a seu jeito na sociedade, transportando consigo todo o hábito de má conduta e impunemente. Cito como exemplo, ter visto com os próprios olhos, em plena luz do dia e na hasta pública, um cidadão tóxico-dependente de calças arriadas a injectar-se no órgão sexual. Ora perante uma acção desta natureza, que não só eu como mais pessoas observaram, se houvesse por parte da comunidade uma atitude repreensiva, estou certo que com o passar o tempo haveria mais respeito e pessoas dessa índole não se sentiriam tão à vontade para praticar tamanha vergonhice. Por esta razão acho que a própria sociedade tornou-se de certo modo permissiva, promiscuindo-se com certas atitudes.
A falta de respeito por parte dos mais novos em relação aos mais velhos, o comportamento nas ruas, nos transportes públicos, a forma como se apresentam vestidos diante da sociedade, deixando a mostra a peça interior da sua indumentária, o uso de bebidas alcoólicas em público, expressões obscenas, enfim são infelizmente factos que demonstram o nível vergonhoso a que chegou a educação social hoje em dia.
Por outro lado, a droga, o vandalismo, os assaltos, etc., reflectem também a outra face da deficiente educação e muitas das vezes à essa parte, se relaciona com o meio social em que se inserem. A sociedade não reprime, porque o direito à liberdade proporciona que cada um seja livre de viver à sua maneira; é uma forma errada de pensar, constituindo assim um conceito pessoal, fruto da má interpretação dos princípios democráticos e sociais.
Na sociedade, torna-se necessário que cada cidadão desenvolva conhecimento, compreensão, capacidades, atitudes e os valores que ajudem não só a si, como à própria sociedade, em particular aos jovens, a desempenhar um papel activo e com dignidade; é preciso estar informado e consciente das responsabilidades direitos e deveres, para compreender que tudo isto tem a sua importância e influência na sociedade.
Numa sociedade democrática a educação para a cidadania está associada a três níveis de aprendizagem:
- Responsabilidade Social e Moral: Aprender desde cedo a ter comportamentos sociais e moralmente responsáveis, dentro e fora de casa, salas de aula, perante a autoridade, público e perante si próprio.
- Participação na comunidade: Aprender como tornar-se útil na vida e nos problemas que afectam a comunidade, contribuindo para o seu melhoramento e o bem-estar.
- Literacia Política: Aprender acerca das instituições, problemas e práticas da democracia e das formas de participar efectivamente na vida política a diferentes escalas.
Esta é uma preocupação que todos nós devemos ter, se quisermos construir um mundo em que possamos viver em paz e harmonia, gozando de um bem-estar e Portugal muito disso precisa.
Hermínio Bragança
Miraflores, 27 de Fevereiro de 2010

2 Response to O meu ponto de vista sobre a educação

20 de março de 2010 às 11:22

grande testamento xD

31 de março de 2010 às 14:30

"(...)Cito como exemplo, ter visto com os próprios olhos, em plena luz do dia e na hasta pública, um cidadão tóxico-dependente de calças arriadas a injectar-se no órgão sexual.(...)"

Era mesmo necessário?...

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